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Área de intervenção

Vícios e comportamentos aditivos

Há comportamentos que começam por dar alívio, prazer ou distração e que, com o tempo, deixam de ser uma escolha livre.

Jogo online e apostas

Situações frequentes

  • Precisar de mais — quantidade, tempo ou dinheiro — para o mesmo efeito
  • Várias tentativas de reduzir ou parar que não se mantiveram
  • Esconder, minimizar ou mentir sobre a frequência ou os valores
  • Continuar apesar de consequências no dinheiro, no trabalho ou nas relações
  • Irritabilidade ou mal-estar quando não é possível fazê-lo
  • Perder interesse por atividades que antes tinham importância

Sobre Vícios e comportamentos aditivos

O padrão é reconhecível independentemente do comportamento em causa: precisar de mais para obter o mesmo efeito, tentar reduzir e não conseguir manter, e continuar apesar das consequências já visíveis.

Aplica-se a substâncias — álcool, cannabis, cocaína, medicação usada fora de indicação — e também a comportamentos sem substância, como o jogo online e as apostas, as compras ou o uso compulsivo de ecrãs.

Porque é difícil parar apenas com força de vontade

O comportamento aditivo instala-se porque cumpre uma função: baixar ansiedade, escapar ao tédio, adormecer, lidar com um mal-estar que não tem outro escoamento. Retirá-lo sem perceber que função tinha deixa esse mal-estar sem resposta, e é frequentemente aí que as tentativas de parar falham.

A vergonha faz parte do problema

Esconder, minimizar quantidades ou valores e evitar o tema é parte do quadro, não um defeito de carácter. Uma consulta em que não é preciso apresentar uma versão melhorada dos factos é, muitas vezes, a primeira condição para que algo mude.

Quando pode fazer sentido procurar ajuda

Faz sentido quando já houve tentativas de mudar por conta própria que não se mantiveram, quando o comportamento passou a ser escondido, ou quando começa a haver consequências concretas — dívidas, faltas, conflitos, problemas de saúde.

Também faz sentido quando quem procura ajuda é um familiar ou parceiro. Não é necessário que a pessoa que tem o comportamento esteja disponível para vir para que haja trabalho útil a fazer.

Como o acompanhamento pode ajudar

O trabalho começa por mapear o comportamento com precisão: quando acontece, o que costuma vir antes, o que traz depois e o que evita.

  • Perceber que função o comportamento está a cumprir
  • Identificar os gatilhos e reduzir a exposição a eles
  • Construir alternativas viáveis para os momentos de maior risco
  • Definir objetivos concretos, com o próprio a decidir o que é realista
  • Antecipar recaídas e preparar o que fazer quando acontecerem
  • Reparar o que foi afetado nas relações e na organização da vida

Abordagem

Sem julgamento e sem ultimatos. Objetivos impostos de fora raramente se sustentam; os que a pessoa reconhece como seus têm outra probabilidade de se manter.

Quando a situação envolve dependência física, risco para a saúde ou necessidade de avaliação médica, isso é dito com clareza e articula-se com os cuidados adequados.

Perguntas frequentes

Perguntas sobre vícios e comportamentos aditivos

O que digo em consulta fica entre nós?

Sim. A confidencialidade é uma obrigação deontológica da profissão e aplica-se a tudo o que é falado em consulta. As exceções são poucas, previstas no Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses, e são explicadas se alguma vez se aplicarem.

Posso procurar ajuda por causa do jogo de outra pessoa?

Sim. É frequente que o primeiro contacto venha de um familiar ou parceiro, e não da pessoa que joga. Nessas consultas trabalha-se o impacto da situação em quem procura ajuda, o que está e não está sob o seu controlo, e como conversar sobre o assunto sem que a conversa termine sempre da mesma forma.

Como sei se devo procurar apoio psicológico?

Não é preciso estar em crise. Costuma fazer sentido quando algo se mantém há semanas ou meses, interfere no sono, no trabalho, nos estudos ou nas relações, ou quando as estratégias que antes funcionavam deixaram de resultar. Se está em dúvida, a primeira consulta serve exatamente para isso: pensar sobre a situação e decidir com informação.